10/11/2009

ENADE 2009

os gabaritos e as provas
Da RedaçãoEm São Paulo
MEC (Ministério da Educação) divulgou na noite deste domingo (8) as provas e os gabaritos do Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) 2009.
VEJA AS PROVAS E GABARITOS DO ENADE 2009
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Provas
Gabaritos
Os arquivos para download estão em .pdf e podem ser pesados. Para salvá-los, é possível clicar com o botão direito do mouse e salvar o linkA aplicação da prova teve início às 13h e 1.103.173 estudantes eram aguardados. Para os convocados, a prova é requisito obrigatório para a obtenção do diploma. Segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), houve apenas registros de problemas isolados, como os de chegada atrasada em locais de prova ou esquecimento de documento oficial de identificação.
Em Brasília, houve registro de estudantes que deixaram a sala antes do tempo mínimo previsto e tentaram impedir os demais de fazerem a prova, fazendo barulho com megafones. No entanto, de acordo com os aplicadores da prova, o índice de participação nessa escola foi dentro do esperado.Houve ainda casos em Brasília, São Paulo, Belo Horizonte e Petrolina (PE) de endereços equivocados. O presidente do Inep, Reynaldo Fernandes, esclarece que estes estudantes não terão nenhum prejuízo e receberão atestados de dispensa. Informações sobre o procedimento devem ser divulgadas posteriormente.

Descontração

Em um local de prova em Pinheiros, zona oeste da capital paulista, o clima era de descontração. Os estudantes se confraternizavam com beijos e abraços na entrada da prova. A animação que sobrava nos cumprimentos era escassa para fazer o exame.Para Bruno Máximo, 24, concluinte de publicidade, fazer Enade é algo desnecessário. "É ruim ter que se deslocar até o local de prova e nem todos moram perto. Acabei dando sorte com esse local de prova, pois sou morador dos Jardins", disse.
Já Amanda Souza, 18, ingressante de publicidade e propaganda, não deu tanta sorte com local de prova. Moradora de Santana, na zona norte da capital, ela teve de cruzar a cidade para chegar ao Enade. "Estou muito feliz", ironiza. Mesmo assim, ela diz que vai fazer o exame com capricho: "tenho que fazer. Vir aqui e deixar em branco é osso".

Prova nacional
A prova foi realizada em 997 municípios pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), autarquia do MEC (Ministério da Educação).São convocados para a avaliação ingressantes e concluintes dos cursos de administração, arquivologia, biblioteconomia, ciências contábeis, ciências econômicas, comunicação social, design, direito, estatística, música, psicologia, relações internacionais, secretariado executivo, teatro, turismo. Também fizeram o exame os universitários dos cursos de tecnologia em design de moda, em gastronomia, gestão de recursos humanos, gestão de turismo, gestão financeira, marketing e processos gerenciais. Dos participantes, 681.206 são ingressantes e 421.967, concluintes. Além desses universitários, deviam fazer a prova do Enade aqueles estudantes selecionados e faltosos de alguma das edições anteriores e que ainda não regularizaram sua situação. O total de estudantes irregulares inscritos era de 108.903.
fonte:http://educacao.uol.com.br/ultnot/2009/11/08/ult1812u219.jhtm

24/10/2009

Veja Cinema: Entre os Muros da Escola

Canal Futura - Bárbara Viegas

Hoje na Sala do Professor assistimos e debatemos os assuntos que permeiam o filme "Pro dia nascer feliz."

Sobre o filme: "Pro dia nascer feliz."


Pro dia nascer feliz?
Delphine Michel,de São Paulo (SP)

• “Nunca panfletário nem óbvio, João Jardim encontra um viés próprio para nos colocar frente a frente com o nosso futuro (...). Como uma lâmina precisa, o filme corta a alma”. (Fernando Meirelles)
Pro dia nascer feliz apresenta-se, aparentemente, como um documentário sobre o sistema educacional no Brasil. O diretor João Jardim, autor do lindíssimo documentário sobre cegueira e visão, Janela da alma, escolheu seis escolas, nos estados de Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco, para esboçar um retrato das desigualdades do acesso à Educação, trazendo depoimentos dos alunos dessas escolas. Ele evidencia os contrastes gritantes que existem dentro do sistema público, por exemplo, entre a escola da cidade de Manari, no Estado de Pernambuco, cidade com menor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do país, e as escolas de São Paulo. Mas, sobretudo, João Jardim registrou o abismo que existe entre uma escola da elite paulista – o colégio Santa Cruz – e qualquer escola do sistema público.
O filme abre com imagens de arquivo da campanha educacional de 1962, lembrando que, na época, 14 milhões de jovens não tinham acesso à educação. Uma manchete alardeava que “na cidade sem escola, jovens escolhem o crime”. Hoje, as estatísticas nos dizem que 97% dos jovens vão para escola, mas João Jardim lembra justamente que o acesso à escola em si não quer dizer nada: para que serve a escola, se não oferece perspectivas para os jovens? Para que serve se, pelo sucateamento que sofre o sistema público, a escola não ensina nada? Para que serve se as escolas, em vez de diminuírem as desigualdades, as reforçam?
Ele coloca poucos dados, mas suficientes para se ter uma idéia do abandono no qual se encontra a escola pública brasileira: 13.700 escolas brasileiras não têm banheiro; 41% dos alunos que ingressam no ensino fundamental não concluem a 8ª série. A metade dos alunos que concluem o ensino médio não sabe ler ou escrever. Mesmo o acesso físico à escola não é sempre garantido. Assim, há crianças que têm de percorrer mais de trinta quilômetros para chegar à escola de Inajá, em Pernambuco. Durante a semana da filmagem, essas crianças e jovens só conseguiram ter três dias de aula, porque o ônibus estava quebrado.
O olhar atento e discreto do diretor se dirige primeiro aos jovens. Para João Jardim, não se trata de realizar um estudo sociológico sobre o ensino no Brasil, nem de analisar as responsabilidades do Estado e do governo: ele quer simplesmente conhecer melhor a psiquê dos jovens brasileiros, mergulhados num mundo violento e sem perspectiva. Ele cita, no título, a letra de Cazuza, “Pro dia nascer feliz, essa é a vida que eu quis”, com a intenção de alertar-nos sobre o destino daqueles jovens que não terão a vida que queriam ter. “O filme tenta jogar um pouco de luz nessa questão de como o jovem se comporta dentro da escola, não apenas em relação aos professores, mas também em relação aos colegas e a esse momento intenso em que vive, num mundo extremamente violento e com poucas oportunidades” , afirma o diretor.
Essa opção de João Jardim poderia ser criticada. De fato, é uma pena que o diretor não tenha tentado “jogar luz” também sobre a questão do professor. O documentário deixa no ar várias acusações em relação às faltas dos professores e à ausência de compromisso com os alunos. O depoimento da diretora da escola de Itaquaquecetuba, nesse aspecto, só contribui para reforçar os preconceitos contra o professor: após explicar a substituição dos professores efetivos faltosos por eventuais (sem nem comentar o quanto esses professores eventuais são explorados), ela queixa-se do excesso de faltas e sustenta que é por causa da “legislação permissiva”. Os alunos também não vão muito além do conflito com o professor, que é apontado como um dos principais responsáveis da baixa qualidade do ensino.
Nesse aspecto, existe certo desequilíbrio no documentário. Só o depoimento da professora Celsa (Itaquaquecetuba) – reconhecida como uma boa professora pelos alunos, já que ela incentiva a criatividade dos mesmos, através do fanzine da escola – expressa o dilema quotidiano dos professores, o esgotamento físico e moral que eles sofrem dentro de uma instituição que os abandona ao seu próprio destino, com condições de trabalho absurdas, salários miseráveis e ausência completa de perspectiva: “Eu falto por cansaço (...) a carga física e moral é maior do que o ser humano pode suportar (...), você se envolve, mas nem sempre tem retorno. O professor perdeu a dignidade (...) e o Estado deixa tudo jogado. Todo mundo está cansado de ouvir os problemas da Educação, mas ninguém faz nada”. Este é o único depoimento que aponta a responsabilidade do Estado em relação à péssima qualidade do ensino.
Essa falha talvez se explique pela forma exaustiva que o João Jardim escolheu. Não tem uma unidade narrativa suficiente, já que o diretor quer dar uma representação da escola e da juventude, em geral, no Brasil. O filme acaba sendo um pouco fragmentado. De fato, seria preciso filmar outro documentário, para poder colocar mais nitidamente a realidade da exploração e alienação crescentes no trabalho de professor.
Apesar dessa lacuna, o documentário vale pela intensidade dos depoimentos, que são simples, mas às vezes arrepiantes. Valéria, moradora de Manari gosta de ler Vinicius de Moraes e Carlos Drummond de Andrade, escreve poemas lindos sobre “a paixão da arte de viver”, mas nunca é valorizada pelos professores: “Não dão notas boas”, porque não acreditam que ela foi capaz de escrever textos assim. Sabe perfeitamente que “seria uma adolescente normal”, se não tivesse uma família de onze pessoas e que “poderia ter lazer, se não tivesse que trabalhar”.
Keila, de Itaquaquecetuba, queria se suicidar, mas achou no fanzine da escola e na poesia uma maneira de extravasar o seu sofrimento. Um ano depois, ela já entra na fábrica para dobrar calças e sente na pele a exploração do jovem trabalhador e a alienação resultante de um trabalho repetitivo, perdendo até a vontade de escrever. Rita, ameaçada por duas colegas, prefere mudar de escola, engravida, e tem de parar de estudar durante dois anos.
O depoimento mais forte é ouvido em off, por cima da bela e triste imagem dos pingos de chuva caindo no chão: uma aluna comenta friamente que resolveu esfaquear a colega na escola “pra tudo mundo ver”. “Ela quis me barrar na festa. Eu pensei: ela tem que morrer, essa safada. Fui procurar ela na hora do intervalo e achei no corredor. Aí, foi daquele jeito. Mandei ver. E ela estava no chão esticada. Ela ia morrer de qualquer jeito um dia. Só antecipei”. E conclui: “Não dá nada matar sendo ‘de menor’, três anos passam rápido”. Este depoimento dramático demonstra a magnitude da banalização da violência e a perda do sentido da vida, dos outros e da sua própria, para quem não vê futuro algum.
Outros jovens fogem da escola para roubar e se divertem “com a cara da vítima quando está perdendo”. Mas lembram quem são os verdadeiros ladrões da sociedade: os políticos corruptos que se enriquecem à nossas custas.
Segundo Jardim, “se existe algum caminho para esses jovens, é o do protagonismo. Eles estão sendo tolhidos. A escola tem que achar alguma forma criativa deles extravasarem, porque, caso contrário, eles vão escolher outros caminhos para isso”.Duvidamos que a escola, por si só, seja capaz de proporcionar perspectivas para a juventude dentro do sistema capitalista. Aliás, o plano aéreo onde Jardim filma na seqüência um bairro rico, com seus prédios imponentes, com suas piscinas, e, ao lado, encostada na riqueza, uma favela de barracos miseráveis, não deixa dúvidas de que essa falta de perspectiva não se resolverá na escola.
O trecho sobre o colégio Santa Cruz nos apresenta os poucos que “tem o privilégio de saltar do drama (da sobrevivência) para a tragédia (da existência)”, como diz Fernando Meirelles. Thais, Ciça e os outros estudam numa escola luxuosa da elite, no bairro Alto de Pinheiros. Esses adolescentes poderiam nos emocionar, já que têm dúvidas, questionamentos, e problemas existenciais. Aliás, diferentemente dos outros adolescentes, choram muito – pelas notas e pelos namorados. Mas quando se trata de evocar a desigualdade social, eles mostram claramente o que significa ser parte da burguesia paulistana. É desesperador ouvir as moças refletirem sobre as “bolhas” que dividem o mundo, e se o fato de enxergar o menino que vende balas na rua como um ser humano deixa a “bolha” mais transparente ou não. Arrepia ouvir uma dizer tranqüilamente que “não dá para fazer trabalho voluntário, porque vou ter que deixar de ir numa aula da natação”, ou outros concluírem com uma inocência cínica que o mundo dos pobres e o mundo deles são dois mundos diferentes, mas o problema é justamente que é o mesmo mundo...
As últimas imagens demonstram, mais do que outras, a sensibilidade do olhar de João Jardim: ele registra uma série de retratos de jovens, com planos fixos longos, que expressam toda a urgência para esses adolescentes do dia “nascer feliz”. E filma de novo Valéria dizendo, à maneira dos repentistas, uma poesia sobre Manari, “sua terra por ventura”. “Esse depoimento não está lá só para levantar o astral do filme, mas porque para mim, Pro dia nascer feliz é muito mais uma discussão sobre desperdício, falta de oportunidades que tem o jovem brasileiro”, comenta João Jardim. Ele conseguiu com certeza transmitir-nos sua preocupação, com muita simplicidade, e sem ser nunca piedoso.
Por fim, guardaremos na memória as imagens finais das crianças com prato de comida, que, durante os créditos, olham para a câmera com olhos arregalados.

FICHA TÉCNICA:Gênero: Documentário
Duração: 88 minutos
Ano de Lançamento: 2006, Brasil
Direção: João Jardim
Roteiro: João Jardim
Edição: João Jardim
Produção: Flávio R. Tambellini e João Jardim
Música: Dado Villa-Lobos
Fotografia: Gustavo Hadba

15/10/2009

Para consultor da Unesco, cenário sobre professores no Brasil é preocupante



Brasília - Problemas na formação continuada dos professores e até mesmo na formação inicial, além da baixa remuneração, compõem um cenário “preocupante”, de acordo com o consultor em educação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil, Célio da Cunha.
Ao comentar o estudo Professores do Brasil: Impasses e Desafios, lançado pela Unesco na semana passada, Cunha lembrou que os professores representam o terceiro maior grupo ocupacional do país (8,4%), ficando atrás apenas dos escriturários (15,2%) e dos trabalhadores do setor de serviços (14,9%). A profissão supera, inclusive, o setor de construção civil (4%).
O especialista destaca, entretanto, que é preciso “elevar o status” do professor no Brasil. A própria Unesco, ao concluir o estudo, recomenda a necessidade de “uma verdadeira revolução” nas estruturas institucionais e de formação. Dados da pesquisa indicam que 50% dos alunos que cursam o magistério e que foram entrevistados disseram que não sentem vontade de ser professores. Outro dado “de impacto”, segundo Cunha, trata dos salários pagos à categoria – 50% dos docentes recebem menos de R$ 720 por mês.
O estudo alerta para um grande “descompasso” entre a formação teórica e a prática do ensino. Para Cunha, a formação do docente precisa estabelecer uma espécie de “aliança” entre o seu conteúdo e um projeto pedagógico, para que o professor tenha condições de entrar em sala de aula.
Como recomendações, a Unesco defende a real implementação do novo piso salarial e a política de formação docente, lançada recentemente. Cunha acredita que esses podem ser “pontos de partida” para uma “ampla recuperação” da profissão no Brasil.
“Se houver continuidade e fazendo os ajustes necessários que sempre surgem, seguramente, daqui a alguns anos, podemos ter um cenário bem mais promissor do que o atual”, disse, ao ressaltar que sem professores bem formados e com uma remuneração digna não será possível atingir a qualidade que o Brasil precisa para a educação básica. “Isso coloca em risco o futuro do país, por conta da importância que a educação tem em um mundo altamente competitivo e em uma sociedade globalizada.”

04/10/2009

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Educação - Um retrato da sala de aula

Revista Veja - Edição 2132 - 30 de setembro de 2009


Poucos especialistas observaram tão de perto o dia a dia em escolas brasileiras quanto o americano Martin Carnoy, 71 anos, doutor em economia pela Universidade de Chicago e professor na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, onde atualmente também comanda um centro voltado para pesquisas sobre educação. Em 2008, Carnoy veio ao Brasil, país que ele já perdeu as contas de quantas vezes visitou, para coordenar um estudo cujo propósito era entender, sob o ponto de vista do que se passa nas salas de aula, algumas das razões para o mau ensino brasileiro. Ele assistiu a aulas em dez escolas públicas no país, sistematicamente – e chegou até a filmá-las –, além de falar com professores, diretores e governantes. Em entrevista à editora Monica Weinberg, Martin Carnoy traçou um apurado cenário da educação no Brasil.

COMO NO SÉCULO XIX

Está claro que as escolas brasileiras – públicas e particulares – não oferecem grandes desafios intelectuais aos estudantes. No lugar disso, não é raro que eles passem até uma hora copiando uma lição da lousa, à moda antiga, como se estivessem num colégio do século XIX. Ao fazer medições sobre como o tempo de aula é administrado nos colégios que visitei, chamaram-me a atenção ainda a predominância do improviso por parte dos professores, os minutos preciosos que se esvaem com a indisciplina e a absurda quantidade de trabalhos em grupo. Eles consomem algo como 30% das aulas e simplesmente não funcionam. A razão é fácil de entender: só mesmo um professor muito bem qualificado é capaz de conferir eficiência ao trabalho em equipe ou a qualquer outra atividade que envolva o intelecto. E o Brasil não conta com esse time de professores de alto padrão. Ao contrário. O nível geral é muito baixo.


MENOS TEORIA E MAIS PRÁTICA

Falta ao Brasil entender o básico. Os professores devem ser bem treinados para ensinar – e não para difundir teorias pedagógicas genéricas. As faculdades precisam estar atentas a isso. Um bom professor de matemática ou de línguas é aquele que domina o conteúdo de sua matéria e consegue passá-lo adiante de maneira atraente aos alunos. Simples assim. O que vejo no cenário brasileiro, no entanto, é a difusão de um valor diferente: o de que todo professor deve ser um bom teórico. O pior é que eles se tornam defensores de teorias sem saber sequer se funcionam na vida real. Também simplificam demais linhas de pensamento de natureza complexa. Nas escolas, elas costumam se transformar apenas numa caricatura do que realmente são.


QUE CONSTRUTIVISMO É ESSE?

O construtivismo que é hoje aplicado em escolas brasileiras está tão distante do conceito original, aquele de Jean Piaget (psicólogo suíço, 1896-1980), que não dá nem mesmo para dizer que se está diante dessa teoria. Falta um olhar mais científico e apurado sobre o que diz respeito à sala de aula. É bem verdade que esse não é um problema exclusivamente brasileiro. Especialistas no mundo todo têm o hábito de martelar seus ideários sem se preocupar em saber que benefícios eles trarão ao ensino. Há um excesso de ideologia na educação. No Brasil, a situação se agrava porque, acima de tudo, falta o básico: bons professores.
Tempo mal gastoEnsino brasileiro: ausência de de
safios intelectuais e excesso de improviso


À CAÇA DE MESTRES BRILHANTESA

chave para um bom ensino é conseguir atrair para a carreira de professor os melhores estudantes. Basta copiar o que já deu certo em países como Taiwan, que reuniu em seu quadro de docentes algumas das melhores cabeças do país. Ali, um professor ganha tanto quanto um engenheiro – o que, por si só, já atrai os alunos mais talentosos para a docência. Mas não é só isso. Está provado que, para despertar o interesse dos mais brilhantes pela sala de aula, é preciso, sobretudo, dar-lhes uma perspectiva de carreira e de reconhecimento pelo talento que os distingue. No Brasil, o pior problema não está propriamente na remuneração dos professores, até razoável diante das médias salariais do país – mas justamente na ausência de um bom horizonte profissional.

VIGILÂNCIA SOBRE OS PROFESSORES
Os professores brasileiros precisam, de uma vez por todas, ser inspecionados e prestar contas de seu trabalho, como já ocorre em tantos países. A verdade é que, salvo raras exceções, no Brasil ninguém sabe o que eles estão ensinando em sala de aula. É o que me faz comparar as escolas públicas brasileiras às empresas pré-modernas. Elas não contam com mecanismos eficazes para cobrar e incentivar a produtividade. Contratam profissionais que ninguém mais no mercado quer, treinam-nos mal e, além disso, não exercem nenhum tipo de controle sobre eles. Hoje, os professores brasileiros estão, basicamente, livres para escolher o que vão ensinar do currículo. Não há padrão nenhum – tampouco há excelência acadêmica.

NA LINHA DA MEDIOCRIDADE
É boa notícia que os brasileiros comecem a colocar a educação entre suas prioridades, mesmo que isso ocorra com tanto atraso em relação aos países mais desenvolvidos. Percebo no Brasil, no entanto, uma visão ainda bastante distorcida da realidade – típica de países onde as notas dos estudantes são, em geral, muito baixas. A experiência indica que, num cenário como esse, até mesmo os ótimos alunos tendem a se nivelar por baixo. Com um resultado superior à média, eles já se dão por satisfeitos, assim como seus pais e escolas. Na verdade, estão todos mirando a linha da mediocridade. E é lá que estão mesmo. Os exames internacionais da OCDE (organização que reúne os países mais ricos) mostram isso com clareza. Os alunos brasileiros que aparecem entre os 10% melhores são, afinal, menos preparados do que alguns dos piores estudantes da Finlândia. Os finlandeses, por sua vez, definem suas metas com base num altíssimo padrão de excelência acadêmica. É esse ciclo virtuoso que o Brasil deve perseguir – em todos os níveis.

CHEGA DE UNIVERSIDADE GRATUITA
Se quiser mesmo se firmar como uma potência no cenário mundial, o Brasil precisa investir mais na universidade. É verdade que os custos para manter um estudante brasileiro numa faculdade pública já figuram entre os mais altos do planeta. Por isso, é necessário encarar uma questão espinhosa: a cobrança de mensalidades de quem pode pagar por elas, como funciona em tantos países de bom ensino superior. Sempre me pergunto por que a esquerda brasileira quer subsidiar os mais ricos na universidade. É um contrassenso. Olhe o que aconteceria caso os estudantes de renda mais alta pagassem algo como 1 000 dólares por ano às instituições públicas em que estudam. Logo de saída, o orçamento delas aumentaria na casa dos 15%. Com esse dinheiro, daria para atrair professores do mais alto nível. Quem sabe até um prêmio Nobel. O Brasil precisa, afinal, começar a se nivelar por cima.

02/10/2009

MEC divulga prova do Enem descartada após vazamento

O Ministério da Educação (MEC) disponibilizou nesta quinta-feira a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2009 que foi descartada depois das denúncias de vazamento do conteúdo do exame. As provas, marcadas para este final de semana, foram canceladas pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, na madrugada de hoje após as suspeitas de fraude. Acesse as provas do primeiro dia, segundo dia e o gabarito.
O cancelamento das provasO Ministério da Educação cancelou na madrugada desta quinta-feira a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que seria aplicado neste final de semana para mais de 4 milhões de pessoas em todo o País. O cancelamento teria ocorrido em virtude do vazamento da prova. As provas seriam aplicadas nos dias 3 e 4 de outubro em 113.857 salas de 10.385 escolas do País.
De acordo com o jornal Estado de S. Paulo, por telefone, um homem procurou o jornal na tarde dessa quarta-feira e disse que tinha duas das provas que seriam aplicadas no sábado. Em troca da informação, teria cobrado R$ 500 mil. A decisão teria sido tomada pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, após tomar conhecimento do vazamento.
O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Reynaldo Fernandes, disse ao jornal que "há fortes indícios de que houve vazamento, 99% de chance". Haddad disse ao jornal que não teve acesso ao material da prova e confirmou o vazamento após consultar técnicos do Inep, com base em informações que teriam sido passadas pelo jornal ao ministro.

fonte:http://noticias.terra.com.br/educacao/noticias/0,,OI4015973-EI8398,00-MEC+divulga+prova+do+Enem+descartada+apos+vazamento.html

02/09/2009

29/08/2009

Confira como as universidades federais vão adotar o Enem

Veja o balanço com o posicionamento de cada universidade.Instituições podem usar o exame de quatro maneiras diferentes.
Do G1, em São Paulo

Das 55 universidades federais, 46 instituições adotarão o novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), 7 ainda não se decidiram e 2 definiram que não levarão em conta o resultado do exame em seu vestibular.

São quatro as possibilidades de se utilizar a nota do Enem: como fase única; como primeira fase; como fase única para as vagas remanescentes, após o vestibular; ou combinado ao atual vestibular da instituição.

Neste último caso, a universidade definirá o percentual da nota do Enem a ser utilizado para a construção de uma média junto com a nota da prova do vestibular. Cada instituição de ensino superior divulgará em seus editais em qual formato participará e e se haverá diferenças entre os cursos.

Veja a seguir a posição de cada uma das 55 univesidades federais:
Os dados são do Ministério da Educação (última atualização ocorreu em 9 de julho).

Região Centro-Oeste

Univesidade de Brasília: Adotará o Enem no 1º vestibular de 2011 (modalidade a decidir)
Universidade Federal de Goiás: Utilizará já em 2009 como parte da nota (40%) da 1ª fase de seleção e para vagas remanescentes
Universidade Federal do Mato Grosso: Em 2009, utilizará a nota do Enem para seleção em fase única e para vagas remanescentes
Universidade Federal do Mato Grosso do Sul: Em 2009, adotará o Enem como 1ª fase e para preencher vagas remanescentes. Em 2010, adotará como fase única
Universidade Federal de Grande Dourados: Em 2009, adotará o Enem para preencher vagas remanescentes. A partir de 2011, utilizará o Enem como fase única para 50% das vagas

Região Sudeste

Universidade Federal do ABC:Adotará Enem como fase única e para preencher vagas remanescentes
Universidade Federal de São Carlos:A partir de 2010, utilizará o Enem como parte da nota do processo seletivo (50%) e para vagas remanescentes
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp):Todos os cursos adotarão o Enem ao menos como 1ª fase e para preencher vagas remanescentes
Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri:O Enem será usado como fase única já em 2009 para preencher 50% das vagas remanescentes e do processo seletivo. A outra metade será preenchida por meio do vestibular seriado (a 3ª etapa do vestibular seriado é a nota do Enem)
Universidade Federal de Uberlândia:Adotará Enem como 1ª fase em 2010
Universidade Federal de Viçosa:A partir de 2009, o Enem comporá 50% da nota final do vestibular e será adotado como critério para preencher vagas remanescentes
Universidade Federal Fluminense:A partir de 2010, o Enem será usado para compor parte da nota da 1ª fase. A nota do Enem também servirá como bônus de 10% a 15% para compor a nota da 2ª fase de alunos das redes públicas
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro:Adotará o Enem como fase única já em 2009 e para preencher vagas remanescentes
Universidade Federal do Espírito Santo:Aprovado uso do Enem em 1ª fase para 2009
Universidade Federal de Alfenas:Adotará o Enem como fase única e para preencher vagas remanescentes
Universidade Federal do Triângulo Mineiro:Utilizará o Enem como parte da nota (50%) da prova de conhecimentos gerais e para o preenchimento de vagas remanescentes
Universidade Federal de Itajubá:Adotará o Enem fase única para 4 cursos do campus de Itajubá e para todos os cursos do campus de Itabira. Para os demais cursos do campus de Itajubá, o Enem será usado como primeira fase
Universidade Federal de Juiz de Fora:A 1ª fase é obrigatória para todos os candidatos. No ato da inscrição, poderão autorizar que a universidade use a nota do Enem caso seja maior do que a nota da 1ª fase. Utilizará o Enem para vagas remanescentes
Universidade Federal de Lavras:O Enem será utilizado como fase única. Também manterá o processo seriado de ingresso em que a nota do Enem compõe a 3ª fase, além de utilizar o exame para vagas remanescentes
Universidade Federal de Minas Gerais:Em fase de decisão para o processo seletivo de 2011
Universidade Federal de Ouro Preto:A partir de 2009 utilizará o Enem como primeira fase do vestibular. A segunda fase será realizada por meio de processo seletivo próprio.
Universidade Federal de São João Del Rei:De 10% a 25 % das vagas (percentual em discussão) serão preenchidas pelo Enem como fase única. Os alunos poderão usar a nota para a 1ª fase do processo seletivo. O exame será usado para preencher vagas remanescentes
Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro:Adotará o Enem como fase única e para preencher vagas remanescente já em 2009
Universidade Federal do Rio de Janeiro:Adotará o Enem como 1ª fase

Região Sul

Universidade Federal do Rio Grande do Sul:Enem representará 10ª nota, com peso 1, no vestibular. Candidato deverá indicar se quiser que a nota do Enem seja usada
Universidade Federal do Rio Grande:Adotará o Enem como parte da nota (50%) e para vagas remanescentes
Universidade Federal de Pelotas:Adotará o Enem em fase única e para vagas remanescentes a partir de 2009
Universidade Federal de Santa Catarina:Utilizará o Enem como parte da nota (20%) e para preencher vagas remanescentes. O aluno poderá optar por utilizar ou não a nota do no processo seletivo.
Universidade Federal do Paraná:A nota final do vestibular será composta de 90% da nota do vestibular e 10% da nota da prova objetiva do Enem
Universidade Federal de Santa Maria: Em fase de decisão
Universidade Tecnológica Federal do Paraná:Adotará o Enem em fase única e discute adotar para vagas remanescentes
Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre:Adotará o Enem em fase única e para preencher vagas remanescentes a partir de 2009
Universidade Federal do Pampa:Adotará o Enem em fase única a partir de 2010 e discute adotar para vagas remanescentes

Região Nordeste


Universidade Federal do Vale do São Francisco:Adotará o Enem em fase única e para vagas remanescentes a partir de 2009. 50% das vagas serão reservadas para estudantes de escolas públicas
Universidade Federal da Bahia:Adotará fase única para os 4 cursos de bacharelado interdisciplinar e o curso superior de tecnologia
Universidade Federal do Maranhão:Adotará o Enem em fase única e para vagas remanescentes a partir de 2009
Universidade Federal de Sergipe:Utilização do Enem para preenchimento de vagas remanescentes
Universidade Federal do Piauí:Adotará fase única para 50 % das vagas de todos os cursos e para preencher vagas remanescentes a partir de 2009
Universidade Federal de Pernambuco:Adotará o Enem para 1ª fase. Está em discussão o preenchimento de vagas remanescentes
Universidade Federal Rural de Pernambuco: Adotará o Enem em fase única e vagas remanescentes a partir de 2009
Universidade Federal do Ceará: Em fase de decisão
Universidade Federal da Paraíba: Em fase de decisão
Universidade Federal Rural do Semi-Árido: Adotará o Enem em fase única e para preencher vagas remanescentes a partir de 2009
Universidade Federal do Rio Grande do Norte: Em fase de decisão
Universidade Federal de Alagoas: A partir de 2009 utilizará o Novo Enem para preenchimento das vagas remanescentes. A partir de 2011 utilizará como fase única em seu processo seletivo
Universidade Federal do Recôncavo da Bahia: Uso do Enem como fase única para 70% das vagas ofertadas e como parte da nota para 30% das vagas. Também será utilizado para preencher vagas remanescentes.
Universidade Federal de Campina Grande: Utilizará o Enem para ocupar as vagas remanescentes

Região Norte

Universidade Federal da Amazônia: A nota do Enem será usada como fase única para preencher 50% das vagas do processo seletivo. As outras 50% serão preenchidas por meio de avaliação seriada. O Enem também será usado para vagas remanescentes
Universidade Federal Rural da Amazônia: Não utilizará o Enem nos processos seletivos de 2009 e 2010
Universidade Federal do Acre: Utilizará o Enem a partir de 2009 para o preenchimento de vagas remanescentes
Universidade Federal de Roraima: Em fase de decisão
Universidade Federal de Rondônia: Usará o Enem em 2009 como fase única para 10% das vagas
Universidade Federal do Tocantins: A partir de 2009, usará o Enem como fase única para 25% das vagas de todos os cursos. As demais vagas serão preenchidas pelo processo seletivo próprio da universidade
Universidade Federal do Pará: Em fase de decisão
Universidade Federal do Amapá: Não utilizará o Enem no processo seletivo de 2009

Universidades novas (Projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional)
Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila): Adotará o Enem em fase única. A operacionalização do processo está em fase de discussão
Universidade Federal da Integração Amazônica (Uniam): Adotará o Enem em fase única
Universidade Luso Afro-Brasileira (Unilab): Adotará o Enem em fase única. A operacionalização do processo está em discussão
Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS: Adotará o Enem em fase única. Aluno de escola pública terá bônus

Exploração da gramática em função do sentido é prioridade, diz professor.

Muitas vezes o vestibulando termina as provas com a impressão de que os testes não cobraram conteúdo de gramática. Isso porque, segundo o professor Francisco Platão, de gramática e redação do Anglo, nos últimos anos houve uma mudança da concepção que se tem da disciplina. “Hoje se concebe a gramática com um valor não em si mesmo, mas a gramática com valor em função de algum resultado. A principal finalidade de uma língua é a produção de sentido, portanto todo esforço de aprendizado de uma língua deve ser voltado para isso: habilitar o estudante a compreender e produzir textos”, diz Platão, em uma aula em vídeo (confira o vídeo no link abaixo).
http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL1281666-5604,00.html
A gramática pela gramática, segundo o professor, tem sido pouco exigida nos vestibulares. Os exames costumam questionar, por outro lado, sobre a importância da gramática para o sentido adequado de um texto.
Fonte: G1 Globo Notícia

28/08/2009

SOMOS NOTÍCIA!!!


Cidades 28/8/2009 - 12:23:00
Escola usa blog para estreitar laços com a comunidade
Na segunda-feira, dia 31 de agosto, é Dia Internacional do Blog. Tem algum blog interessante? Envie o endereço para o site TVCA.Thiago Foresti, da redação do site TVCA
Uma escola estadual em Cuiabá resolveu usar a tecnologia para estreitar os laços com a comunidade. Cada vez mais presente na vida das pessoas, a internet já faz parte da rotina de pais e alunos da escola Rodolfo Augusto Trechaud Curvo, no bairro Residencial Paiguás. Um blog com fotos, vídeos e textos de atividades realizadas na escola pode ser acessado diariamente por qualquer interessado que resida em qualquer canto do planeta e, claro, tenha algum ponto de acesso à rede mundial de computadores.
A mãe dos alunos Rafaela Nicole de Oliveira (13) e Milton Rafael de Oliveira (09) é uma dessas pessoas. "Quando quero ver alguma novidade que aconteceu na escola, eu acesso o blog. O que me chama atenção são projetos que tem lá, como horta, xadrez, concursos", diz Eliete Cardoso Feitosa de Oliveira, mãe e presidente do Conselho de Pais e Mestres.
A diretora da escola, Joelucy Vieira dos Santos Rodrigues, diz que apesar do resultado ser um pouco "tímido", o blog é importante, pois é uma ferramenta que permite aos pais e alunos participarem ativamente dos projetos, reuniões e resultados. "Muitas mães passam a matricular seus alunos em projetos especiais após ver as fotos na internet", diz a diretora.
Quem toca o projeto é a professora de português, Débora Benedita Gomes de Souza. "A tecnologia está presente no cotidiano. Temos que usufruir do melhor dela, principalmente na área de educação", disse a professora. E como o internauta pode constatar, o blog tem um conteúdo caprichado, com fotos, vídeos e textos referentes à vida cotidiana da escola, além de dicas de outros blogs, contato de professores e notícias sobre Mato Grosso.
Segunda-feira é dia Mundial do Blog. Se você se interessou pela história da escola Rodolfo Augusto, ou tem um blog interessante de interesse público, escreva para a gente. Estamos preparando uma matéria especial sobre o assunto. Encaminhe para online@tvca.com.br o link do seu blog pessoal ou de um blog que você gosta e faça uma breve descrição dele.

05/08/2009

REPORTAGEM DA "ISTO É"

Profissão de risco
Pesquisas revelam que professores sentem sua autoridade diminuir e um em cada quatro diz ter sofrido ameaça de agressão


"Só sendo muito idealista para suportar"Nilza Gomes dos Santos, professora de ensino fundamental do Distrito Federal''Vou mais um dia para a escola, desanimada e certa de que as aulas não serão dadas. Quando chego à porta da sala tenho vontade de sumir." Este é um trecho da carta da professora mineira de ensino fundamental Áurea Damasceno endereçada à Secretaria de Educação de Belo Horizonte.

O texto-desabafo circulou na internet e trouxe à tona, mais uma vez, o anacronismo do modelo pedagógico na rede pública e a crise de autoridade dos professores, que costumam acumular problemas nas cordas vocais de tanto gritar dentro das salas de aula.

"Metade da turma passa o tempo todo conversando, pulando de cadeira em cadeira", continua a professora Áurea, confessando que se sente dentro de "uma rebelião".

Outro inimigo dos mestres é a violência dentro das classes. Uma professora foi torturada por um aluno em São Paulo, outra, no mesmo Estado, ameaçada de morte, vários são alvo de intimidações.

Uma pesquisa sobre convivência escolar divulgada no início do mês pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla) e a Secretaria de Educação do Distrito Federal transforma o problema em um número desanimador: 67,6% dos educadores sentem que sua autoridade ficou mais fraca nos últimos anos. O levantamento ouviu 1,3 mil profissionais da capital federal.

"O retrato sintetiza a situação da maioria das escolas públicas do País", afirma a socióloga Miriam Abramovay, que coordenou o trabalho. "Os professores se sentem numa panela de pressão"."Entro na sala de aula e me pergunto: o que estou fazendo aqui?"Rosilene Almeida da Silva, que dá aulas para 18 turmas de até 60 alunos no Rio
A dificuldade começa ao entrar na sala. "Levo 20 minutos para chamar a atenção dos alunos", diz Paulina Cordeiro, que ensina geografia no ensino fundamental das redes municipal e estadual do Rio de Janeiro. "Tenho que berrar. Estou perdendo a voz", lamenta. À sua frente, jovens com celular e jogos eletrônicos - ou, até mesmo, dormindo. Esse desinteresse foi identificado na pesquisa da Ritla: 84,2% dos professores acham que os alunos prestam pouca atenção - ou nunca o fazem. Para Mírian Paura, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, isso se deve, em parte, às características atuais do sistema de ensino."As escolas não conseguiram se adequar à rapidez da informação e do conhecimento que os alunos encontram fora delas." A violência é o que mais assusta. Segundo a pesquisa, 26,4% dos professores já foram ameaçados pelos alunos e 7,5% sofreram violência física. Rosângela Castrioto, de São José dos Campos, em São Paulo, que dá aula de matemática no ensino médio, é uma dessas vítimas. Enquanto respondia às perguntas de uma estudante, no dia 18, ela sentiu o cabelo pegando fogo. "Um aluno veio por trás e riscou um fósforo", contou à ISTOÉ.

Na delegacia, o garoto, de 16 anos, disse que "foi sem querer". "O comportamento deles está cada vez pior.Quando estive na delegacia encontrei outra professora que registrava queixa porque tinha apanhado de uma aluna." Com Maria, professora do ensino médio, que pediu para não revelar seu sobrenome, aconteceu pior. Ela foi torturada durante 50 minutos em uma sala com 46 alunos, em São Paulo. "Amarraram minhas mãos, me amordaçaram e me jogaram no chão", conta. "Com lápis e canetas com pontas bem finas me furaram o corpo." Após o episódio, Maria teve síndrome do pânico, passou a receber ameaças e se mudou de casa.Salários baixos e inadequação das escolas também complicam a situação. A professora de ensino fundamental Nilza Gomes dos Santos, do Distrito Federal, resume sua luta: "Só sendo muito idealista para suportar."
Dividida entre 18 turmas com até 60 estudantes de ensino médio e fundamental, nas redes estadual e municipal do Rio, Rosilene Almeida da Silva reclama de esgotamento físico e emocional por causa da jornada de trabalho multiplicada.


"Minha vocação é ensinar e não lidar com a bagunça total"Luiz Henrique da Costa, que leciona matemática em São PauloAlém de problemas na voz, o trabalho lhe causou lesões na coluna e nos braços. Por fim, ela caiu em depressão. "Entro na sala de aula e me pergunto: o que estou fazendo aqui?" Ela não é a única a fazer esse tipo de questionamento. "Minha vocação é ensinar e não lidar com a bagunça total", revolta-se Luiz Henrique da Costa, que leciona matemática no ensino fundamental na rede pública em São Paulo. Enquanto nada for feito, além dos mestres, a educação será a maior vítima desse sistema educacional falido.
FONTE:http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2064/artigo140047-1.htm

No Enem 2009, português cobrará "gramática aplicada", dizem professores

O que será cobrado de língua portuguesa dentro da divisão de "linguagens, códigos e suas tecnologias" no Enem 2009?



Segundo os professores consultados pelo UOL Vestibular, o novo exame abordará o assunto da mesma maneira que os grandes vestibulares, como o da Fuvest e o da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas): as questões pedem que o estudante saiba aplicar a gramática em situações concretas.

"A gramática é o meio e não um fim em si mesma", diz o professor Marcos Rodrigues Sagatio, do colégio Rio Branco, em São Paulo.


No Enem, o que é cobrado do jovem que sai do ensino médio não são nomenclaturas gramaticais, mas a capacidade de ler e entender o que é pedido. Para Sagatio, o simulado divulgado pelo MEC (Ministério da Educação) não mostrou nenhuma novidade em relação a anos anteriores e só confirmou essa tendência.

Veja no álbum todos os temas de redação cobrados no Enem. A primeira edição da prova, em 1998, abordou a felicidade


"A prova pede que o estudante tenha capacidade analítica; ele tem que perceber a relação que existe entre as diversas variedades de texto apresentadas, tem que entender as diferentes visões de mundo que elas veiculam e tem que ter senso crítico para perceber isso e não se deixar influenciar facilmente", diz o professor.Esse jeito de cobrar os conhecimentos de português, de acordo com o Sagatio, já se reflete no ensino médio: "antes você trabalhava com a palavra 'solta'; agora, o aluno analisa a palavra a partir do texto em que ela está inserida. Por isso, quem só estudar gramática vai acabar se frustrando porque o Enem não vai cobrar nomes", explica.Veja dicas para as outras disciplinas cobradas no Enem 2009:
História e química
Matemática e biologia
Redação
Física e geografia
Veja temas que já foram cobrados na redação

Dicas de estudo
Para se preparar, o professor Sagatio recomenda verificar as questões dos exames anteriores e de vestibulares para o estudante verificar o que é cobrado e, a partir daí, consultar uma gramática, caso precise de auxílio para compreender o que é pedido. Segundo ele, o conteúdo do Enem está se aproximando cada vez mais daquele pedido pela Fuvest na primeira fase: "vai ficar mais difícil", conclui o professor.
O professor lista cinco pontos importantes cobrados no Enem:
Coesão textual: dentro de um texto pode ser pedido conhecimentos de análise sintática, uso dos conectivos, uso de pronomes relativos e de períodos compostos;
variação linguística: o estudante deve ter a percepção de que a língua não é homogênea e que a norma culta é só uma referência; ele deve saber identificar as diferentes formas de falar e saber por que ocorrem;
gêneros textuais: o aluno deve saber quais são os mecanismos gramaticais que predominam em cada tipo de texto, como o jornalísitico, o poético etc.

uso de tempos e modos verbais: conhecimento essencial para interpretação de textos no Enem;

figuras de linguagem: são recursos fundamentais da língua, o estudante deve perceber os efeitos de sentido de uma metáfora, de uma ironia etc.A dica da professora Sheila Hallai, do colégio Global, em São Paulo, é ler muito: "leitura é primordial, não só de livros didáticos mas de jornais, revistas, sites de informação. Só assim o aluno adquire habilidade de leitura e nível vocabular", diz.

Sheila explica que a leitura cobrada no exame pode ir além de textos: "o texto iconográfico, como quando o Enem pede para comparar figuras, também é texto: o estudante tem que interpretar as imagens, identificar seu significado. Tudo isso exige treino", aconselha.

Para todas as matérias
Para a professora Sheila, o domínio da língua portuguesa é central para os estudantes pois está por trás dos cinco eixos cognitivos comuns a todas as áreas do Enem 2009; veja quais são (de acordo com as habilidades cobradas pelo exame):
1. Dominar linguagens (DL): dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das linguagens matemática, artística e científica e das línguas espanhola e inglesa.
2. Compreender fenômenos (CF): construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas.
3. Enfrentar situações-problema (SP): selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema.
4. Construir argumentação (CA): relacionar informações, representadas em diferentes formas, e conhecimentos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação consistente.
5. Elaborar propostas (EP): recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.O domínio da língua portuguesa é a base para o estudante poder desenvolver as habilidades acima e, segundo a professora, a importância da interpretação de texto tende a crescer: "diria que 99,9% da prova vai ser interpretação", diz.

30/07/2009

Poeta cuiabano Manoel de Barros é citado em simulado do novo Enem



'O apanhador de desperdícios', de Manoel de Barros, foi utilizado no simulado da prova de Linguagens.
Marcy Monteiro Neto, da redação do site TVCA


O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação que aplica o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), divulgou um simulado da prova que será realizada nos dias 3 e 4 de outubro. O novo Enem será a porta de entrada para os estudantes que pretendem estudar na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e outras instituições federais de ensino em todo o país.

No simulado divulgado pelo Inep, uma das questões do caderno de Linguagens traz uma poesia de Manoel de Barros, mato-grossense de 92 anos e um dos maiores poetas brasileiros.

Manoel de Barros nasceu em Cuiabá em dezembro de 1916 e publicou o primeiro livro em 1937: "Poemas concebidos sem pecado". A poesia dele tem como temática o Pantanal, contando detalhes de seu cotidiano, da natureza e da vida no campo. O cuiabano Manoel de Barros recebeu diversos prêmios literários, entre eles dois Prêmios Jabuti de Literatura, Prêmio da Academia Brasileira de Letras e um Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte de melhor poesia.
Confira abaixo a poesia citada no simulado e clique aqui para conferir o simulado na área de Linguagens.
O apanhador de desperdícios
Uso a palavra para compor meus silêncios.

Não gosto das palavras

fatigadas de informar.

Dou mais respeito

às que vivem de barriga no chão

tipo água pedra sapo.

Entendo bem o sotaque das águas

Dou respeito às coisas desimportantes

e aos seres desimportantes.

Prezo insetos mais que aviões.

Prezo a velocidadedas tartarugas mais que a dos mísseis.

Tenho em mim um atraso de nascença.

Eu fui aparelhado

para gostar de passarinhos.

Tenho abundância de ser feliz por isso.

Meu quintal é maior do que o mundo.

Sou um apanhador de desperdícios:

Amo os restoscomo as boas moscas.

Queria que a minha voz tivesse um formato

de canto.

Porque eu não sou da informática:

eu sou da invencionática.

Só uso a palavra para compor meus silêncios.


BARROS, Manoel de. O apanhador de desperdícios. In. PINTO, Manuel da Costa.Antologia comentada da poesia brasileira do século 21. São Paulo: Publifolha, 2006. p. 73-74.
fonte:http://rmtonline.globo.com/noticias.asp?n=455225&p=2&Tipo=

Inep divulga questões-modelo do novo Enem para que inscritos possam se ambientar com a prova






Foram disponibilizadas à meia-noite de ontem (29.07), pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), um compilado de 40 questões-modelo do novo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). As questões estão divididas entre as quatro áreas de avaliação: ciências da natureza e suas tecnologias; ciências humanas e suas tecnologias; linguagens, códigos e suas tecnologias e matemática e suas tecnologias.
As questões foram disponibilizadas em quatro arquivos PDF.


ARQUIVOS:QUESTÕES-modelo do novo ENEM
Baixe os arquivos dos exemplos de questões do Enem 2009.






A mudança do Enem o aproxima das diretrizes curriculares nacionais e dos currículos praticados nas escolas, mas sem abandonar o modelo de avaliação centrado nas competências e habilidades. Os exemplos de questões foram elaborados a partir de critérios técnicos e pedagógicos, com itens contextualizados e voltados para a realidade do cidadão.
A divulgação dos itens-modelo visa aproximar os futuros participantes da nova estrutura de prova do Enem, reformulado neste ano. O gabarito vai permitir a checagem das alternativas corretas e a melhor compreensão das habilidades abordadas, mas não será possível simular uma nota dentro da nova escala proposta para o Enem 2009, em Teoria de Resposta ao Item (TRI).
É importante lembrar que cada um dos quatro testes do Enem 2009 será composto por 45 itens de múltipla escolha, totalizando 180 questões. No dia 3 de outubro (sábado) serão aplicados 45 itens de ciências da natureza e suas tecnologias e 45 itens de ciências humanas e suas tecnologias. No dia 4 de outubro (domingo), serão 45 itens de linguagens, códigos e suas tecnologias e 45 itens de matemática e suas tecnologias, além de uma proposta de redação. Essa configuração permitirá ao Enem 2009 a aferição mais exata das proficiências de todos os participantes do exame.
Assessoria de Imprensa Inep/MEC

12/07/2009

ESTRUTURA DA NARRATIVA - o percurso gerativo do sentido

LÍNGUA PORTUGUESA / VIDA
Estrutura da narrativa
O percurso gerativo do sentido
Jorge Viana de Moraes*
Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
Além dos já conhecidos elementos estruturais da narrativa, tais como o narrador, as personagens (principal, auxiliar, antagonista), o espaço, o tempo, o enredo, etc., os textos narrativos também se estruturam em quatro fases distintas ao longo de seu desenvolvimento, isto é, do seu percurso: a manipulação, a competência, a performance e a sanção.

Para entender cada uma dessas fases, tomemos como exemplo a famosa fábula "O lobo e cordeiro", de La Fontaine:

O LOBO E O CORDEIRO

Na água limpa de um regato,
matava a sede um cordeiro,
quando, saindo do mato,
veio um lobo carniceiro.

Tinha a barriga vazia,
não comera o dia inteiro.
- Como tu ousas sujar
a água que estou bebendo?
- rosnou o Lobo a antegozar
o almoço. - Fica sabendo
que caro vais me pagar!

- Senhor - falou o Cordeiro -
encareço à Vossa Alteza
que me desculpeis mas acho
que vos enganais: bebendo,
quase dez braças abaixo
de vós, nesta correnteza,
não posso sujar-vos a água.

- Não importa. Guardo mágoa
de ti, que ano passado,
me destrataste, fingido!
- Mas eu nem tinha nascido.
- Pois então foi teu irmão.

- Não tenho irmão, Excelência.
- Chega de argumentação.
Estou perdendo a paciência!
- Não vos zangueis, desculpai!
- Não foi teu irmão? Foi o teu pai
ou senão foi teu avô.
Disse o Lobo carniceiro.
E ao Cordeiro devorou.

Onde a lei não existe, ao que parece,
a razão do mais forte prevalece.


La Fontaine. "O lobo e o cordeiro".
In: Fábulas. Trad. Ferreira Gullar. Rio de Janeiro, Revan, 1997, p. 12.


Existem vários elementos concretos que compõem esta narrativa (cordeiro, lobo, regato, água, etc). No entanto, por baixo desses elementos poderíamos imaginar uma representação de nível mais abstrato: o texto relata uma transformação, ou seja, a passagem de um estado inicial para um estado final. Vejamos como isso ocorre.


Manipulação
Nas duas primeiras linhas do texto está explícito que o que levou a personagem cordeiro a beber água no regato foi a sede: esta é a manipulação. A manipulação consiste em uma personagem induzir outra a fazer alguma coisa. O manipulador pode usar de vários expedientes para induzir uma personagem a agir: um pedido, uma ordem, uma provocação, uma sedução, um tentação, uma intimidação, etc.

Mas pode-se dizer, numa instância mais abstrata, que a manipulação nessa fábula é a manutenção, por parte do cordeiro, de sua própria vida. Como se vê, o manipulador não precisa necessariamente ser uma personagem isolada (o príncipe, por exemplo), ou uma personagem coletiva (o povo, a pátria, um grupo de pessoas, etc), ou um ser animado (o cachorro fez o gato correr); inanimado (a ponte caiu, o que nos levou a procurar outro caminho) ou uma personagem que imponha a si mesma uma obrigação.

Todavia, para que a manipulação seja eficiente, é necessário que a personagem manipulada queira ou deva fazer (podendo querer e fazer ao mesmo tempo). No caso do cordeiro, ele queria matar a sede e manter-se vivo.


Competência
A próxima fase seria a competência. Para agir, não basta que a personagem queira ou deva, mas também que saiba e possa. Ilustrando com o exemplo da fábula, podemos dizer que o cordeiro, naturalmente, é presa do lobo na cadeia alimentar. Sendo assim, para desempenhar a função de saciar a própria sede (e de manter-se vivo), o cordeiro deveria livrar-se do lobo, quando este surgiu do mato. Como vimos, o cordeiro tenta argumentar contra o lobo na tentativa de escapar com vida. Esta parte da fábula pode ser considerada como a competência.


Performance
No entanto, a performance, isto é, o fazer persuasivo do cordeiro para com o lobo, não surte efeito, pois o lobo queria mesmo era devorá-lo, não importando o argumento que o cordeiro usasse. Tendo em vista que, nessa fase do percurso narrativo, geralmente, há sempre uma relação de perda e ganho, o lobo ganhou, o cordeiro perdeu.


Sanção
Na última linha da fábula narra-se que o cordeiro é devorado pelo lobo. Há aqui a sanção negativa do cordeiro, que se dá com a sua morte.

Em resumo, a personagem cordeiro é manipulada pela vontade de beber água. Esse sujeito (cordeiro) do fazer (beber água/ manter-se vivo) ao se deparar com o lobo (personagem antagonista), precisa adquirir uma competência (tentar persuadir o lobo a não matá-lo). O cordeiro, então, tenta desempenhar essa competência apelando para o bom senso (personagem auxiliar). Cria-se um conflito (o instinto predador do lobo), que não importando qual fosse o argumento usado pelo cordeiro (performance), devora-o.

Chega-se, assim, a uma sanção que é negativa para o cordeiro: sua morte; e positiva para o lobo: sua refeição.

Esquematicamente, teríamos:
*Jorge Viana de Moraes é mestre em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. É professor universitário em cursos de graduação e pós-graduação.
capa do livro "Laços de Família"
Conto
Características do gênero literário
Heidi Strecker*

O conto é uma obra de ficção, um texto ficcional. Cria um universo de seres e acontecimentos de ficção, de fantasia ou imaginação. Como todos os textos de ficção, o conto apresenta um narrador, personagens, ponto de vista e enredo.

Classicamente, diz-se que o conto se define pela sua pequena extensão. Mais curto que a novela ou o romance, o conto tem uma estrutura fechada, desenvolve uma história e tem apenas um clímax. Num romance, a trama desdobra-se em conflitos secundários, o que não acontece com o conto. O conto é conciso.

Grande flexibilidade
Por outro lado, o conto é um gênero literário que apresenta uma grande flexibilidade, podendo se aproximar da poesia e da crônica. Os historiadores afirmam que os ancestrais do conto são o mito, a lenda, a parábola, o conto de fadas e mesmo a anedota.

O primeiro passo para a compreensão de um conto é fazer uma leitura corrida do texto, do começo ao fim. Através dela verificamos a extensão do conto, a quantidade de parágrafos, as linhas gerais da história, a linguagem empregada pelo autor. Enfim, pegamos o "tom" do texto.


Primeiros passos
Podemos perguntar também: Quem é o autor do texto? Seja na internet, numa enciclopédia ou mesmo nos livros didáticos, é bom fazer uma pesquisa sobre o autor do conto, conhecer um pouco sua biografia. É um autor contemporâneo ou mais antigo? É um autor brasileiro ou estrangeiro?

O conto quase nunca é publicado isoladamente. Geralmente ele faz parte de uma obra maior. Por exemplo, o conto "Uma Galinha", de Clarice Lispector, faz parte do livro "Laços de Família".


Seguindo adiante
Depois dessas primeiras informações, podemos fazer uma leitura mais atenta do conto: elucidar vocábulos e expressões desconhecidas, esclarecer alusões e referências contidas no texto. Também podemos pensar no título do conto. Porque o autor escolheu este título? Este esforço de compreensão qualifica - e muito - a leitura. Torna o leitor mais sensível, mais esperto.

O passo seguinte é fazer a análise do texto.
No momento da análise o leitor tem contato com as estruturas da obra, com a sua composição, com a sua organização interna. Para analisar o texto, é bom observar alguns aspectos da sua composição. Algumas perguntas são muito importantes: Quem? O que? Quando? Onde? Como?

Formular as perguntas e obter as respostas ajuda a conhecer o conto por dentro:

•Quais são os personagens principais?

•O que acontece na história?

•Em que tempo e em que lugar se passa a história narrada?

•E algo bem importante: Quem narra? De que jeito? O narrador conta de fora ou ele também é um dos personagens?

Depois dessa análise, fica mais fácil interpretar a obra. Já temos uma base para comentar, comparar, atribuir valor, julgar. Nossa leitura está mais fundamentada. Fica mais fácil responder à pergunta: O que você achou do conto?

FONTE:
http://educacao.uol.com.br/portugues/ult1706u25.jhtm